Paolla Oliveira fala sobre sua nova personagem

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A feminilidade de Paolla Oliveira está à flor da pele. E boa parte disso tem a ver com a decidida Jeiza, sua personagem em “A Força do Querer”. Na pele da policial e fã de MMA da novela das nove, a atriz redescobriu não apenas sua força física, mas seu jeito de olhar para o universo feminino e suas complexidades. “Passei por um processo de preparação muito rígido. No meio do caminho, conheci mulheres que subverteram a ordem de locais predominantemente masculinos sem perder a doçura. É maravilhoso ver barreiras sendo quebradas e poder mostrar isso na tevê”, conta.

Natural de São Paulo, a primeira experiência de Paolla na vídeo foi como assistente de palco do “Passa ou Repassa”, do SBT, quando tinha apenas 17 anos. Sem muitas possibilidades, ela acabou ingressando na faculdade de Fisioterapia. Formada, voltou a buscar novas oportunidades na tevê. Em 2004, estreou como atriz em “Metamorphoses”, da Record, mas só chamou a atenção do público depois de ser selecionada para viver a romântica Giovana em “Belíssima”, em 2005.

Exatos 12 anos depois, o trabalho na trama de Gloria Perez chega em um momento onde Paolla se mostra cada vez mais criteriosa com os rumos de sua carreira. “Sinto que hoje consigo negociar melhor com a emissora e equilibrar a minha força de trabalho com a satisfação artística. Não é bom para ninguém ficar se repetindo”, exalta.

Jeiza ( Paolla Oliveira ) treinando Iron

CONFIRA A ENTREVISTA

Sua personagem em “A Força do Querer” tem a intenção de levantar a bandeira do Feminismo. Como você encara a empreitada no momento em que este movimento está na ordem do dia? A Jeiza representa a mulher forte que quer e pode estar em todos os lugares. Sem se importar se esses locais são tradicionalmente mais ligados ao universo masculino. Me sinto extremamente atual e realizada. É um assunto que está nas ruas, nas redes sociais, nas casas, no mundo. Vejo as pessoas trocando impressões e discutindo sobre isso como nunca vi na vida e isso me traz um pouco de esperança. Não é de hoje que o feminismo faz parte do meu cotidiano. Muito antes de saber o real significado da palavra eu já lutava por isso.

Na sua família? Exato. Nasci em uma família cheia de homens. São três irmãos, um primo que cresceu com a gente e um pai muito rígido. Desde criança, tenho de me impor e me fazer ouvir. Muitos homens e algumas mulheres têm o machismo enraizado em suas ideias porque cresceram com a noção retrógrada e errada de que a mulher é inferior. Tive um trabalho enorme para apontar coisas óbvias aos homens da minha casa, como o fato de que eles deviam tratar melhor suas namoradas, que eu não tinha nascido para lavar as louças que eles sujam e outras coisas do tipo.

Você tem diversas mocinhas tradicionais e chorosas no currículo, como a Sônia de “O Profeta” e a Paloma de “Amor à Vida”. A Jeiza lhe dá uma nova noção do posto? Com certeza. Ela é naturalmente mais forte e pragmática do que as outras. Jeiza não é regida pelo amor romântico e não espera um homem para direcionar sua história. Ela tem na mãe a grande parceria de sua vida e as duas vão vivendo um dia de cada vez. A personagem tem seus encontros e desencontros amorosos, mas o olhar dela sobre a vida é outro.

Jeiza é fã de MMA e trabalha como policial em uma divisão especial. Como foi mergulhar nesses universos? Uma delícia. Muito por conta da minha falta de informação. Cheguei crua, mas sem preconceitos. E tive muita ajuda. O MMA me ajudou na preparação corporal. Me dediquei e treinei bastante. Pratiquei diversos tipos de luta e, nos bastidores, a gente entende que não é a adrenalina que comanda a ação, mas a concentração e a técnica. A parte policial foi um pouco mais complexa.

Não é bom para ninguém ficar se repetindo.

Por quê? Tive de aprender a lidar com armas e o linguajar muito específico da corporação. A minha principal fonte de referência foi o BAC – Batalhão de Ações com Cães. Conversei com muita gente e me surpreendi com o ambiente de respeito e igualdade. Além disso, foi nessa fase da preparação que comecei a interagir com o Iron, o pastor alemão belga que contracena comigo e que me dá um trabalho (risos).

Quanto tempo de treinamento foi necessário para você se sentir segura com o animal nas gravações? Comecei o processo de adestramento uns seis meses antes da estreia da novela. Sou louca por animais. Mas uma coisa é você brincar com um cachorro e outra é você utilizar um tom de voz específico para que ele atenda seus comandos. Tenho o apoio de especialistas durante as sequências. Mas, no geral, somos Iron e eu. Fico de olho para não sobrecarregá-lo e fazer das gravações um ambiente sem grandes tensões.

“A Força do Querer” é seu primeiro trabalho sob o texto de Gloria Perez. Como foi esse convite? Estou reservada para essa novela desde o final de 2015. Eu ainda estava gravando “Além do Tempo” quando a emissora me disse que a Gloria me queria para um dos papéis principais da novela. Eu fiquei muito lisonjeada e confiante. Pois, como espectadora, sei muito bem o nível de qualidade das personagens femininas criadas pela Gloria. Me veio logo à mente, por exemplo, “Barriga de Aluguel”, “O Clone” e “Caminho das Índias”.

Entre mocinhas e vilãs, você já está acostumada a ser o nome principal de um elenco desde “O Profeta”, de 2006. Em “A Força do Querer”, você divide o posto com mais quatro atrizes. O que muda na dinâmica de trabalho? Dividir o “fardo” é bom para todo mundo. Acho que torna tudo muito mais prazeroso. Gravo muito e minha dedicação é exclusiva. No entanto, tenho um tempo maior de preparação, penso melhor a cena e isso é realmente um luxo quando se trata de protagonistas. Já fiz muitas cenas no piloto automático por conta da falta de tempo e do volume enorme de trabalho. Gloria criou um mosaico feminino muito interessante e dá o espaço necessário para que todas consigam apresentar bem suas personagens.

“A Força do Querer” – Globo – De segunda a sábado, às 21h

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