Vale a pena consertar eletrodomésticos antigos?

Tempo de leitura: 2 minutos

Eletrodomésticos antigos podem ser ótimos itens de decoração, mas consomem muita energia. Já os novos costumam ser mais econômicos, mas duram menos do que aqueles de décadas atrás. Em caso de defeito, é melhor consertar o item velho ou trocá-lo por um moderno?

A resposta não é tão simples e está condicionada ao modelo do aparelho, seu histórico de problemas e o valor do conserto.

Uma forma de saber se vale a pena desapegar do eletrodoméstico antigo é fazer um cálculo, como explica César Caselani, professor de administração da FGV.
Se um aparelho novo terá vida útil de dez anos, o conserto do antigo não pode custar, por ano, mais de 10% do valor do equipamento novo. Ou seja, se uma geladeira é vendida a R$ 2.000 e deve durar uma década, segundo previsão do lojista ou do fabricante, o reparo da velha deve custar até R$ 200 por ano para que o conserto compense.

“Também não vale a pena investir na manutenção se o preço for muito próximo ao de um produto novo, que tem a vantagem de ser tecnologicamente mais avançado e consumir menos energia”, pondera Caselani.

A tendência é que, a cada cinco anos, haja uma redução de cerca de 10% do consumo energético dos eletrodomésticos que chegam ao mercado, de acordo com Agostinho Pascalicchio, professor de economia e engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Os refrigeradores, por exemplo, reduziram em até 26% o consumo de energia em 15 anos, segundo um estudo publicado em 2015 pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica.

Apesar da melhor eficiência energética, o risco de que aparelhos novos estraguem facilmente ou sejam trocados em pouco tempo é grande.
Como observa Tereza Carvalho, coordenadora do Laboratório de Sustentabilidade do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da USP, os modelos mais modernos têm uma espécie de obsolescência programada: “A filosofia da indústria hoje é estimular o consumo, não o reparo”.
Enquanto os produtos antigos eram normalmente feitos de metais, hoje são compostos em grande maioria por materiais mais frágeis, como o plástico.

CONSERVANDO OS ANTIGOS

O fotógrafo Giácomo Favretto, 63, sabe o valor dos itens antigos. Em sua casa, na zona sul de São Paulo, há uma geladeira da década de 1950 e um fogão de 1946 comprados em lojas de antiguidades. E não servem só para decorar os ambientes: estão em pleno funcionamento. “Gosto da estética dos aparelhos daquela época. O que não significa que eu dispense novidades”, diz.

Segundo ele, apenas o sistema de vedação da geladeira costuma dar problemas: “Se os motores estiverem bons, pode durar uma vida”.
O fotógrafo diz que nunca calculou a diferença no consumo de energia dos itens velhos em relação aos novos.
Para quem também não é chegado em contas, existem formas mais práticas de saber a hora de trocar o eletrodoméstico, como conferir se as falhas, sejam vazamentos ou rachaduras, são recorrentes e surgem no mesmo lugar, explica Pascalicchio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *